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Eva

eva

Das costelas de Adão fui gerada. Avaliada como a pior das invenções humanas fui desprezada pela atitude sem domínio. Fui chamada de Eva e criticada por toda vida. Fui colocada num paraíso, mas não resisti à tentação do pecado. Fui enganada por um estranho e desprezada por causa da desobediência.

Fui repudiada por muitos, lançada num lamaçal de pecados e toda sorte de iniquidade. Fui condenada como ré. Trouxe o pecado ao mundo e fui expulsa do Éden. Tive chances de ser feliz de gozar das primícias do meu Rei. Tive a honra de conversar com meu Criador.

Fui abatida, insultada e muitos lamentaram que nasceram de mim. Fui lançada fora e perdi o privilégio de ter um lar. Perdi a pureza antes de conhecer o mal. Fui objeto do pecado, desvalorizada, dominada.

Mas veio a redenção, fui finalmente liberada da maldição da queda. Levantei-me fundamentada em pilares: maternidade, virgindade. Passei a simbolizar as mulheres comuns e passei a ser mulher guerreira para lutar pelos meus direitos. Tive direito ao arrependimento demonstrado pela humilhação e lágrimas, em oposição ao meu lado negro, que levou a humanidade ao pecado.

Tive uma função no decorrer do tempo: procriar… Fui considerada por pensadores da época como uma mera fonte de prazer carnal. Fui relegada a um papel de segundo plano na Pré-história… Fui vítima de crueldade, abuso e toda sorte de violência. Casei-me ainda na puberdade, onde não tive o direito de escolha. Só pude Dedicar-me a aprendizado dos serviços domésticos.

Historicamente convivi em sociedades onde fui dominada por homens e designada prioritariamente à função materna. Fui aristocrata… Ora pertenci à classe mais baixa. Ocupei uma posição de inferioridade social. Outrora… Desfrutei também de melhores regalias. Caminhei por toda idade Média… Deixei claro o papel civilizador durante muitos anos… Porém fiquei à sombra de um mundo dominado pelo gênero masculino.

Fui reconciliada através da salvação em Cristo e esse preconceito foi abatido depois do meu pecado devastador… Minha história foi construída através dos séculos e minhas teorias servem de pedestais para nossa sociedade.

Artemise Galeno – Cronista do Portal da Escrita

Contato: Revista EllasCrônicas de Artemise Galeno

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