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Carnaval

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Cássio era demais, fazia tudo demais: bebia demais, fumava demais, comia demais, falava demais… Do tipo hiperativo, talvez por ter adquirido toda aquela pressa que todos tinham na cidade. 
 
Eu não sabia o que estava tocando, mas todos estavam animados, Cássio estava ainda mais. 
 
Dobrei a esquina procurando um pouco de sossego que esperava encontrar que esperava encontrar assim que pensei na chegada do feriado, mas o que encontrei foi a Gisele agarrada a um cara, era um branquelo magro fantasiado de índio. 

Olhei para o outro lado, chateado, por ter pensado que o par dela seria eu. 
 
Pensei em andar mais um pouco e pegar o caminho que leva a linha vermelha, que é a que leva ao centro… Talvez lá encontrasse algo pra fazer. 
 
Cassio me chamou tentando gritar o mais alto possível, e ele conseguiu. Já estava visivelmente embriagado, trocava as pernas em quanto soprava a fumaça de seus pulmões. 
 
“Eu falei com a Lena… Ela disse que … Quer sua resposta”, ele disse pendendo a atenção e olhando para todos os lados. Mas não me importava para onde ele estava olhando, pois só pude pensar nela. 
 
Finalmente pediu minha resposta, mas calei, não sabia mais… 
 
Cássio saiu com suas pernas bambas atrás de uma moça fantasiada de passista, ele mal sabia que elanão era quem ele pensava. E eu sabia que no dia seguinte haveria uma história da qual iria rir. 
 
Resolvi procurar pela Lena, esperando que quando a encontrasse soubesse o que dizer. Estava um pouco eufórico. 
 
Coloquei as mãos nos bolsos de meu jeans e continuei andando. Não estava nada animado, não estava no clima. Mas o Cássio ligou-me todo animado, fui levado àquele lugar um tanto quanto inóspito. 
 
A cada canto que passava encontrava mais como eu, haviam muitos como eu. E haviam muitas como ela, algumas com nomes diferentes, mas todas trajando vermelho. Lembro de como ela gosta de vermelho e como fica bem com todo o calor da cor. 
 
Era estranha a forma como nos parecíamos as vezes, como estávamos juntos, a forma como éramoscompostos e ao mesmo tempo de grupos diferentes. Seguíamos os mesmos caminhos, tínhamosfunções que se complementavam… Tinha tudo para dar certo. Mas aparentemente não deu.

Já Lena e eu, nunca tivemos muitas coisas em comum, mas ela sempre esteve disposta a tentar. Sei que com ela não seria de todo confetes, mas podia durar todos os meses, todos os anos. Sendo que com Gisele só duraria até o carnaval chegar, só durou até o carnaval e dessa vez não serei eu o responsável por cuidar de sua ressaca moral pós carnaval.

Vi Lena de longe, ela não me viu. Tentei chegar perto, mas todos pareciam não querer que isso acontecesse, a cada passo que dava alguém esbarrava em mim, me fazendo dar dois passos para trás . Àquela altura todos já pareciam muito íntimos, mesmo nunca tendo nem se visto, pessoas se abraçavam e esse era só o que precisava para que começassem a se beijar. Fui desviando (ou tentando) até achar que estava perto o suficiente para que ela me ouvisse, então tentei gritar assim como Cássio gritava; obviamente não consegui, ela não ouviu.

O que me restou foi continuar tentando chegar até ela, e numa tentativa quase desesperada empurrei algumas pessoas, me atirando para frente. Consegui chegar até Lena, cheguei um pouco atordoado, mas cheguei pronto para dar minha resposta.

Texto do nosso parceiro EntreLinhas (&) Subtextos

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