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É por engano ou desejo?

Por: Laís Sandrigo do Cada Segundo Vale

Feet don’t fail me now. Take me to the finish line. Oh, my heart it breaks every step that I take. But I’m hoping that the gates, They’ll tell me that you’re mine…
‘Pés, não falhem agora. Levem-me até a linha de chegada. Meu coração se parte a cada passo que eu dou. Mas eu espero que os portões, eles me dirão que você é meu…
Em passos lentos, quase se arrastando pelo chão, Catarine caminhou pelo estreito corredor até chegar em seu quarto. Segurava em uma das mãos um copo cheio de água, e mantinha um dos fones de ouvido encaixado na orelha, com sua canção favorita começando a tocar. Empurrou a porta do cômodo com os pés, deixando de lado qualquer lição de bons modos, e colocou-se dentro do quarto pouco iluminado, trancando a porta logo em seguida. Sentou-se na beira da cama e levou o copo até os lábios – com o batom já desbotado -, dando um gole rápido, só para molhar a garganta seca. Levantou-se, meio sem saber o que fazer primeiro, então decidiu deixar o copo sob o criado mudo, e tirar a roupa.
Walking through the city streets. Is it by mistake or desire? I feel so alone on the fridays nights. You make me feel like home, if I tell you you’re mine as like I told you, honey…
Andando pelas ruas da cidade. É por engano ou desejo? Eu me sinto tão sozinha toda sexta-feira à noite. Você me faz sentir em casa. Se eu disser que você é meu? Como eu te disse, querido…

Encaixou os dedos no zíper da calça jeans, puxando-o lentamente pra baixo, enquanto a outra mão fazia a tarefa de desabotoa-lá. Com as duas mãos, puxou o tecido para baixo, tendo dificuldades para retirá-lo quando chegou na altura do tornozelo. Pra quê calças tão apertadas? Pensou. Mesmo assim, conseguiu se livrar dela, jogando-a em cima da cama desarrumada. Sentiu-se exausta – mesmo não tendo feito nada o dia todo -, e cogitou pagar alguém para terminar seu árduo trabalho de despir-se. Pagar? Em que mundo ela vivia? Qualquer um faria aquilo de graça, imploraria até. Abriu um sorriso com o pensamento insano, e voltou sua atenção para a música que continuava a tocar, juntando sua voz com o timbre melódico da cantora…

Don’t make me sad, don’t make me cry. Sometimes love is not enough and the road gets though, I don’t know why. Keep making me laugh. Lets go get high. The road is long, we carry on. Try to have fun in the meantime…
Não me deixe triste, não me faça chorar. Às vezes o amor não é o bastante e a estrada fica difícil, eu não sei porquê. Continue me fazendo sorrir. Vamos nos embriagar. A estrada é longa, nós seguimos adiante. Tentamos nos divertir no meio tempo…

Criou coragem, e puxou a blusa para cima de uma vez só, sem interrupções ou demora. Largou-a em cima da cama, junto as outras peças jogadas ali. Subiu a alça do sutiã de renda que insistia em cair pelo ombro, e soltou os fios do cabelo que estavam presos em um coque bem no alto da cabeça. Balançou-os levemente para que se alinhassem, e no mesmo instante sentiu o aroma de seu shampoo de frutas vermelhas se espalhar pelo ambiente. Respirou fundo, sentindo-se um pouco mais relaxada. Pegou o copo novamente, dando mais um gole – dessa vez demorado – na água que já não estava mais tão gelada. Deixou-o no mesmo lugar, e jogou seu corpo sob a cama, conseguindo por alguns míseros segundos não pensar em nada.

Take a walk on the wild side. Let me kiss you hard in the pouring rain. You like your girls insane, so choose your last words. This is the last time
Venha caminhar no lado selvagem. Deixe-me te beijar forte na tempestade. Você gosta das sua garotas insanas, então escolha suas últimas palavras. Esta é a última vez…

Controlar a mente é complicado demais. Amadores não conseguem por muito tempo. Dessa forma, lembrou-se do último sonho, dos beijos roubados em uma construção antiga. O sol ameaçando acordar enquanto algumas pessoas andavam pelo centro da cidade – mas não era a sua  -. De familiar aquele lugar só tinha a praça, mas estava tão escura e sem vida. Que medo ela sentiu, mas tinha braços ao redor, quase confortáveis, enlaçando sua cintura. Desejou ficar, quis acreditar que pertencia àquela combinação sombria de cenário, sensações e amor. Mas não…

Chega, chega de sonhos. Chega de lembrar deles. Abriu os olhos, e encarou o teto branco.
Cause you and I. We were born to die.
Porque você e eu, nascemos para morrer.
Fechou-os novamente. Hora de dormir.
Sem nenhum desvaneio essa noite, prometeu a si mesma.

 

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