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A POESIA DÉMODÉ DE FERNANDO PESSOA E OLAVO BILAC ENTRE OUTROS E A POESIA CONTEMPORÂNEA ALIENADA EM JAPONÊS E BRAILLE.

Poesia, Álbum De Poesia, Idade, Dizendo, Escola

Nesses livros que dormem pelos cantos das prateleiras, a poesia démodé se arrasta sem ar em antigos nomes, que postumamente, tentam sustentar com bravura, essa velha bandeira.

Pessoa, Castro, Campos, Drummond, Bilac, entre alguns mais, ainda arrancam filetes de vivacidade das nossas almas apáticas, no mais, a poesia concreta, cibernética, interplanetária, aérea, aliena encolheu-se em palavrórios surreais, que dizem tanto de nós, quanto um peixe voando na orbita de júpiter. E diga-se francamente, quem em sã consciência trocaria seu sacro santo vil metal por um monte de suposições de lógica?

Nem todos nós temos os olhos treinados para compreender o abstrato. Quem compra livro, é gente, e a maior parte da gente, é povo, e a maior parte do povo, é leigo dessas finezas impressas sob a sabedoria da poética contemporânea intelectual, melhor seria pagar por uns cinquenta tons de cinza e um pouco de sexo explícito, do que não saber em qual página haverá de se compreender um sentimento ou uma ideia.

Que me desculpem aqueles que julgarem que estou falando de mais, daquilo que sei de menos, falo na qualidade de leitora, de gente, de povo e de leiga, mas também falo na qualidade de quem se arrisca a traçar palavras comuns sobre sentimentos comuns, e ousadamente, nomeia isso como poesia. Quantos milhares como eu compartilham da mesma sensação de subjugo e pelo teor da simplicidade com que escrevem são restringidos aos cantos do esquecimento, estando exposto ao julgamento, em comparação aos grandes letrados?

Sonho com o dia, onde em tudo, caberá a poesia, desde um anúncio de outdoor á um convite de casamento, das estampas de camisetas ás porcelanas finas dos aparelhos de jantar, capas de cadernos escolares, capaz de celulares…, tudo e em tudo, haver poesia popular. Mas poesia mesmo, a poética em si, com valor literal e literário. Creio que talvez fosse essa a redenção da sarjeta cultural em que nossos jovens estão submersos.

Sem o respaldo de quem lhes poça explanar, o que eles chamam hoje de poesia popular, não vai além de um esgoto sistemático de expressão vulgar, ouvimos isso no que eles chamam de música, e de dialeto e nem podemos reclamar quando um ser chamado: Valeska Popozuda é aclamada como a filósofa das massas juvenis, e leiam:

“Eu lavava, passava, tu não dava valor, agora que eu sou puta, você quer falar de amor”, e creiam, o povo paga para ouvir e pagaria para ler isso. Culpa da ignorância?

Acha ruim? Faça melhor! Bem, existem milhares que fazem melhor, a diferença é que eles estão represados, em-si-mesmados pela falta de oportunidade de tornar o que fazem tão popular quanto, o “texto” acima citado.

O problema do Brasil não é a ignorância do povo, ao contrário, o povo consome muita cultura, mas a cultura que eles têm disponível para consumir, ou é arcaica, no sentido de que foi produzida em outro momento histórico da sociedade, ou é contemporânea, mas fala japonês em Braille para noventa por cento da população e trabalha-se em cima daquela pseudo cultura sem qualquer qualidade, porque os detentores dos meios de produção cultural consideram mais fácil difundir a mediocridade, á trabalhar com a difícil tarefa de unir, qualidade e quantidade, para enriquecer a instruir o povo. Não importa de onde venha a receita, com tanto que venha rápido.

Adriana Campos Marinho.

Conheça mais sobre a autora clicando aqui.

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