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Permita-me vagar contigo?

Quantos tormentos… Grandes apreços! Minha vida pode ser resumida numa simples palma de mão infantil! Também, o que eu poderia esperar com 13 anos de idade? Talvez, se eu tivesse 26, eu estivesse numa condição deplorável, catastrófica… Ok! Resumirei brevemente esses meus longos anos de vida!

13 anos, para muitas pessoas, podem não significar muita coisa!

13 anos, para muitas pessoas, podem ser o primeiro passo da prática da imaturidade!

13 anos, para muitas pessoas, formam o sinal da desobediência!

13 anos, para mim, são os piores que eu possa ter vivido e o início da desesperança…

Sou do tipo de garota que se apega fácil com as pessoas! Assim sendo, fico iludida e decepcionada, a cada passo que dou!

Apesar de viver apaixonada, nunca fui correspondida! Pergunto-me se há algo de errado comigo… Será que alguém poderá me dizer algum dia? O meu sonho é aquele que espera um Cyrano de Bergerac chegando e declamando o seu amor por mim, em minha janela… Se eu pudesse receber um pedacinho do sentimento que eu já nutri por outros, eu deixaria que seguisse levemente, sem obstáculos, rumo ao meu coração! Esvaziar-me-ia de todo o resto, bastando em mim às palavras deste ser de nariz saliente!

Oh destino, o que me pregaste?

Por mais pessoas que tenham a minha volta, me sinto sozinha… Vazia!

Às vezes, me sinto como se estivesse gritando, a plenos pulmões, e ninguém estivesse me ouvindo! Uma completa ignorada! Uma indesejável!

Numa dessas, o vento me afastou de quem me apaixonei! Forçadamente, me arremessou ao meu mar de solidão! Eu ainda o questionei, dizendo: “Por quê? ” – Apesar das lágrimas, o gelo de seu interior nada respondia! Na verdade, nem me ouvia! Minha voz havia desaparecido, meu coração torturado, minhas lágrimas esquecidas… Do que adiantou tantos versos que lhe havia dedicado? Ah, como sou ingênua! Os versos não foram importantes… Palavras não poderiam expressar o sangue que jorra do meu coração!

Andando imersa, com os olhos abaixados, estava à mercê da solidão! Como se estivesse convencida de que o meu destino era um só: estar só! Numa praça, solitária, decidi me encontrar neste momento de dor! E eis que uma folha aparece flutuando a minha frente, como se o vento a soprasse e quisesse me levar a algum lugar… Tão diferente! Onde será que a folha irá? Não pude me conter, não tinha mais o que fazer!

Segui a folha até o vento sul a estacar! Ela parou… no meio do nada! Não havia árvores, não havia bancos, não havia pássaros, não havia ninguém! Caí de joelhos, e a folha peguei! Comecei a questionar do por que dela me iludir assim! – Como se não bastasse às pessoas, nem nos fenômenos sobrenaturais eu poderia ver um fim! Uma lágrima caiu nela e uma leve chuva se iniciou neste momento! Levantei-me! Essa chuva era o que faltava para varrer meu tormento…

Nunca me identifiquei tanto com uma canção! É antiga, mas é a que sempre senti uma sintonia com o meu ser! Ela é aquela música do falecido Jessé! Sua estrofe diz:” Rimas, de ventos e velas/ Vida que vem e que vai/ A solidão que fica e entra/ Me arremessando/ Contra o cais…” – É como se todo o meu interior a cantasse neste momento, como uma orquestra sinfônica e vozes fortes invadisse com todo o sentimento do mundo e… O avistei ali!

Vagando, enquanto as lágrimas do céu me varriam, achei o meu veleiro! Será que ele não quererá remar o meu barco neste mar de solidão? Ele tinha os cabelos negros, estava de costas, mas se percebia que era belo! Penso que não custa nada arriscar-me desta vez, afinal, nada mais tenho a perder…

– Olá! Eu sou Sarah e… Tudo bem? – Achei estranha a reação dele, parecia assustado.

– Oh, desculpe! Não pensei que fosse encontrar alguém aqui! Eu sou Jin!

– Muito prazer… – estava um pouco nervosa, com receios de olhar nos profundos olhos negros dele e me perder – O.o que você faz num lugar como este, num dia como este?

– Vim encontrar minha paz…

A folha, que outrora me havia deixado na mão, parou em minha testa e, sorrindo, pedi ao doce Cyrano:

– Permita-me vagar contigo?

Ele me respondeu com outro sorriso!

Algum tempo se passou dali, não sei se foram segundos, minutos, horas! Mas, pra mim, valeu pela vida toda! Apesar de nada falarmos, eu pude entender uma coisa: A solidão é um sentimento que não encontra seu par! Mas, quando duas solidões se encontram, o resultado é uma esperança!

Lia Cordeiro

 

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