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Férias

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As malas eu já havia arrumado há duas semanas, sapato alto, fino, tipo social caso houvesse algo importante. Sabia que não iria usar, mas era prevenção. Dois ou três pelo menos conforme o que eu quisesse combinar, modelo de frio, modelo meia estação. Era inverno, mas ninguém sabe o que manda o tempo. Botas, chinelos, sandália, sapatilhas, vestido, calça, macacão, saia, bermuda, blusa, manga, cor, etc… Homem não usa saia nem vestido, nem, nem… Amo ser feminina, odeio quase explodir o zíper da mala, creme, xampu que só aquele serve, etc. Até o dia da viagem sempre lembrando que faltava algo, se eu pudesse levaria o armário, a casa, quem sabe seria mais prático.

O tempo voou, férias é assim mesmo, eu acabara de chegar, estava de volta. Acendi as luzes e olhei estranhamente a casa como se ela fosse uma velha conhecida. Enfim nos cumprimentamos e aos poucos fui reconhecendo os armários, lembrando onde ficavam meus panos de prato, a gaveta trocada do armário que ali ficava a esquerda junto da sala de estar.

Depois de passar pela cozinha, nada mais merecido que um belo banho para relaxar, afinal eu tinha feito um longo caminho para chegar e meu corpo pedia isso.

– Mas onde estavam as toalhas mesmo?

Naquela noite aterrissei, minha cama não pareceu reclamar e me acomodei bem.

O sol já iluminava e podia sentir a temperatura diferentemente diferente. Senão fosse isso, por um momento ao acordar demorei um pouco para me localizar. Estava aqui ou estava lá?

Estava de volta e tudo parecia no lugar, só acho que havia uma sensação de um lugar novo, mas conhecido, ou velho e amigo que ainda faltava um pouco de ambientação. Bastaram alguns dias e tudo já estava no automático. Acendia a lâmpada na tecla certa, não errava de porta no corredor e sabia que subiria um andar para acessar os quartos.

Voltei a ler o meu livro que ficava a minha direita na cabeceira da cama. Automaticamente sabia o lugar de cada coisa sem pensar e podia saber qualquer coisa de olhos fechados.

Então pude compreender o meio do livro, o meio do meu espaço, o meio da minha cabeça e ter certeza que o ser humano é facilmente adaptável ou não, é facilmente condicionável ou não e não há coisas que não podemos fazer, mas há sim coisas que podemos não querer fazer e o meio está entre querer, não querer e principalmente peneirar o que vamos fazer, o que muitas vezes não o fazemos e continuamos a carregar eternas e pesadas bagagens inúteis e/ou até perigosas! Na próxima viagem quero coisas mais leves.

Amora

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