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Meu país inventado – Isabel Allende

Meu país inventado é uma espécie de livro de memórias da escritora Isabel Allende, mas acaba sendo mais uma tentativa de traduzir para estrangeiros o que é nascer e crescer no Chile de modo geral e, mais especificamente, como a história cultural e social deste país a formou enquanto escritora e pessoa. Isto porque, em vez de escrever uma autobiografia tradicional, Allende escolhe fazer do Chile e de sua relação com ele enquanto seu “país inventado” o foco de sua obra.

O interessante é que o livro é constituído mais de insights, lembranças de última hora e, principalmente, de uma grande carga de nostalgia, em vez de argumentos, fatos e apresentação de documentos históricos, o que nos leva para longe dos livros de História e, simultaneamente, para perto do conjunto de sensações e pensamentos que fazem parte de “ser chileno”. Conseguimos, assim, entender de modo mais profundo e particular o que significou fazer parte desta sociedade para a autora durante muitos anos e, principalmente, que tipo de relação ela estabelece, hoje, com o Chile de ontem, onde estão suas raízes e toda a sua fase de crescimento, e o Chile de hoje, já tão distante de sua realidade depois que ela construiu toda uma vida nos Estados Unidos.

Acho que é uma obra particularmente interessante para nós, brasileiros, e para americanos (no sentido mais amplo do termo) de modo geral, pois temos a oportunidade que compararmos o que Allende descreve com a nossa própria vivência em nossos países e separar o que é realidade comum e o que é extremamente particular de cada país. É uma obra que nos dá acesso interno a um país que não conhecemos tanto quanto achamos que conhecemos, assim como nos faz pensar nas razões para certos padrões de comportamento se repetirem em diversos países da América Latina.

Não sei se é um livro muito satisfatório para quem busca nele detalhes maiores da vida pessoal de Isabel Allende, pois ela fala muito rapidamente de seus relacionamentos e da morte de suas filhas, ou para quem busca aqui mais informações sobre seu processo criativo, embora suas descrições sobre sua família indiquem que boa parte da sua inspiração vem dessas histórias. Apesar disso, é um livro muito interessante, que nos educa e engaja na mesma medida em que satisfaz a nossa curiosidade de conhecer um pouco mais de uma grande autora latino-americana.

Maíra Protasio

Escritora e mestranda em Filosofia da arte, vive desde sempre entre livros e cadernos. Vem publicando desde 2014 resenhas sobre suas leituras em seu blog: doquetenholido.wordpress.com

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