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Perfeitas Imperfeições

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Por Jean Charles Ribeiro Chagas
Quem disse que tudo que é certo precisa ser iniciado como correto para que se torne perfeito. Na História da humanidade e das ficções as imperfeições mostraram as suas reais intenções depois de várias insistências, até o pecado original (sexo segundo o fruto da carne) talvez não tivesse sucumbido de uma maneira exata ao que conhecemos hoje para que de fato pudesse ser concebido e conhecido como tal, e olha que muita gente, até os dias atuais, se mostra desconhecida dessa prática. Penso que diante das imperfeições dessa ação o aprendizado seja eterno

Mas isso é normal, toda prática leva, conduz e nos cerca de perfeição! A prática é o maior efeito de aprendizagem e, sem sombra de dúvidas, a maior perfeição biológica que aflora de todos nós. Alguém por acaso já se perguntou como se aprende a nascer? E será que alguém já passou por alguma aula de “como aprender a morrer”? Bem! Essas são perguntas que, talvez, não tenhamos feito até então. Aprender a respirar, por exemplo, equivale a muitos pós-doutorados, pois iremos praticá-la para o resto de nossas vidas. Já ouvi algumas teorias afirmando que algumas pessoas ainda não se deram conta de que há uma postura ideal para respirar, ou seja, respiramos tão mal que morremos sem saber que praticávamos essa ação perfeita de forma imperfeita.

A capacidade humana de acertos perfeitos equivale a uma previsão exata para o fim do mundo, com hora e previsão de tempo exato. Algumas pessoas já até cometeram suicídio depois de falhar em suas previsões. Penso que não dá para ser perfeito em previsões, na verdade, ela é uma referência de uma adaptação de uma possibilidade. Vou explicar melhor e, ainda melhor sendo semântico. Diante uma possibilidade de um filme se transformar em uma obra cinematográfica, por exemplo, vejo que seria detestável para os Irmãos Grimm terem que aceitar “Chapeuzinho Vermelho” sem as cores e formas perenes às quais eles a criaram. E mais, o que diriam de Rapunzel, Branca de Neve e Cinderela?
Imperfeições são disfarces propositais para que seu entendimento seja claro, misterioso até, assim penso eu, até o sorriso de Mona Lisa, A Gioconda, é suspeito de tantas (im) perfeições. Nesse caso, penso que a perfeição seria uma indizível e intraduzível vontade de verdade, mister criação ininteligível de Leonardo da Vinci. Perfeição sem censura e “cortes”, tal qual o sentimento furioso de Van Gogh em relação a Paul Gauguin ou tal qual a imperfeição ao beijo inexistente entre Dr. Hannibal Lecter e Clarice Starling em “O silêncio dos Inocentes”. As imperfeições são mascaradas, de Judas e Hitler ao Fantasma da ópera de Gaston Leroux.

Perfeições e imperfeições são cúmplices de nossas necessidades. Elas existem para serem contracenadas, porém não se sabe a origem coadjuvante da intérprete ou que lado sustenta a vilania reacionária da ação. A fundo se entende que assim como a
verdade não existe sem a mentira e vice-versa, a certeza é por si só a face reconhecível de todas as incertezas. Do medo apocalíptico de conceitos afins ao absurdo caos dos “Jihads”, as imperfeições são profundamente descontroláveis, mas na ênfase do Êxodo e sofrimento de Moisés até a equipe olímpica de refugiados, a perfeição torna-se o acaso da imperfeição, na circunstância ritualizada dos acontecimentos temíveis e históricos tudo se faz possível, até o medo desafiador diante do naufrágio do Titanic se faz perfeito ao senso da fé.
Imperfeições são “aparentemente” frias, assim como o amanhecer em Hiroshima e Nagasaki. Mas era perfeito o sangue quente que manchava as águas de Pearl Harbor? Que contradição! Tão dura quanto a sabedoria dos homens que se divergem em seus gêneros e se “acusam” como inocentes. Mas onde está a imperfeição de se acusar como inocente?

Tão firme e assim dolorosa e triste imperfeição somam-se ao do Comércio Negreiro e da perfeita porta que se abriu frente aos olhos de Lázaro “desamedrontado”, fiel e feliz, a oposta e sincera falta de medo enfrentada por um jovem em “A História do Jovem que não sabia o que era ter medo” ainda mencionando “Os Grimm” de tantas fantásticas perfeições. E assim vislumbramos o eterno mundo dicotômico desse “par” que nos cerca e nos oportuniza entre o que se quer entender, justificar e criar.

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