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BAGAGEM EXTRA

Excesso de bagagem TAM – Compra antecipada do excesso de bagagem.jpgSusana era uma boa moça, esforçada, dedicada ao trabalho e aos estudos. Ela era uma pessoa auto-suficiente, morava sozinha, apreciava sua independência.
Era também uma pessoa precavida, até demais e se orgulhava disso, nunca fora em uma viagem sem estar preparada, se fizesse sol ela tinha roupas leves e protetor solar. Se chovesse o guarda chuvas estava lá. Se nevasse casaco, luvas, gorro e botas não faltariam. Se ouvesse pernilongo, havia repelente. Se de repente fosse convidada a uma festa do Oscar, sua roupa de gala estava presente, enfim…
O fato é que geralmente sua bagagem era farta, mas a bagagem que preparava para visitar a família a qual não via há muitos anos, era ainda maior. Os pais sempre moraram no interior de Minas Gerais, e depois de muitos convites, ela resolvera visitá-los. Por causa de seu trabalho ela há anos morava na capital de São Paulo, onde exercia um cargo de chefia na empresa que trabalhava e reconhecera que havia se distanciado muito de sua família e que já era hora de se reaproximar novamente.
Quando estava terminando de organizar a última mala, trocava algumas palavras com o pai antes da viagem via Skype, o qual vendo o tamanho desnecessário das malas a alertou:
— Você não acha que está trazendo bagagem demais? Você não conseguirá vir até aqui com toda essa bagagem extra! Eu posso ir buscá-la quando chegar… Aí estava uma coisa que ela não aceitava ouvir: “você não conseguirá”. É óbvio que consigo! Ela pensava e contrariada não aceitou a oferta dizendo:
— Não precisa se preocupar pai, eu consigo chegar aí!
— Ao menos deixa seu irmão mais velho ir ajudá-la!
— Não pai! Não é necessário. Eu consigo! Ela responde incomodada. O pai percebendo o seu estado não insistiu apenas quis saber a hora em que ela chegaria. Susana querendo fazer uma surpresa e provar sua tese, que conseguiria, disse que chegaria às 15:00 hrs, mas na verdade pretendia chegar ao meio dia, a tempo ainda para o almoço.
E assim foi, teve uma certa dificuldade em descer com a bagagem até o taxi que estava à sua espera e depois outra dificuldade no aeroporto, mas enfim pouco depois de mais de uma hora de vôo, já havia desembarcado em Belo Horizonte e agora dentro do taxi estava à caminho da fazenda de seus pais.
O taxi a deixou no endereço indicado e se foi, ela estava diante da porteira podemos assim dizer, que dava acesso a uma longa e íngreme trilha ladeada de vegetação densa que a levaria até a casa na fazenda. Susana esteve tanto tempo longe que havia se esquecido o quanto a trilha era difícil e longa, levaria cerca de meia hora para chegar à residência isso à passos largos e que seu belo e caríssimo scarpin não era o calçado adequado para aquela caminhada. Mas ela era auto-suficiente, iria conseguir, pensava ela e já imaginava a cara de surpresa de todos ao vê-la. Porém a realidade era muito diferente, ela mal iniciara a caminhada e já havia ido ao chão duas vezes.
Com os joelhos esfolados e os pés doendo, Susana resolveu tirar os sapatos para aliviar a tensão. Seu belo penteado já havia se desfeito e totalmente suada pelo sol que ardia sobre sua cabeça, insistiu na caminhada agora descalça. Mas o peso da bagagem a cada sofrível passo tornara-se insustentável, mas jamais passou por sua cabeça deixa-la para trás, então insistiu em prosseguir em meio a trilha pedregosa e foi ao chão pela terceira vez e dessa vez torceu o pé.
Sentada ali no chão, sentindo dor, olhou para trás para ver a distância percorrida e viu que mal se distanciara do início da trilha, exausta admite que não conseguiria. Pensou em ligar para o pai, porém não havia naquele local sinal de celular, frustrada prostrou-se ali mesmo usando uma de suas malas como apoio para a cabeça. Com as costas da mão direita protegia os olhos da potência do sol e decidiu descansar um pouco.
Minutos depois, o sol fora bloqueado sobre sua pele e uma voz conhecida a fez retirar a mão e desobstruir a visão:
— Você me parece cansada Susi! Está tudo bem? Era seu irmão mais velho, que a olhava e lançava a ela um gentil sorriso. Desconcertada questiona:
— O que faz aqui?
— Vim te ajudar a chegar em casa!
— Mas eu disse que viria às 15:00 hrs e agora é um pouco mais de meio dia. Ele sorrindo disse:
— Papai conhece bem a filha que tem, por isso me mandou vir antes. E depois de se abaixar e analisar o pé torcido de Susana, se levantou e estendendo a mão a ajudou a ficar em pé, afirmando que não era grave, nada havia se quebrado, era apenas uma torção a qual ele cuidaria assim que chegassem em casa. Ela não questionara e nem objetara pois ele era especialista na área – era ortopedista.
E depois de lhe dar um carinhoso e fraterno abraço, bem humorado sugeriu:
— Lembra-se de quando éramos crianças e eu te carregava nas costas?
— Ah… Por favor Ted, não somos mais crianças! Não vou fazer isso! Ele com carinho explica:
— Seu pé não está quebrado, porém não é bom forçá-lo e mesmo que tentasse, não conseguiria caminhar tão longe, nessa trilha e sabe disso. Não seja orgulhosa, suba em minhas costas que eu te levo.
Susana um tanto constrangida, fez o que o irmão pediu e não se lembrava o quanto ele era grande e forte, mas mesmo assim, levar ela e todas as sua malas poderia ser penoso demais para ele e já acomodada em suas costas preocupada disse:
— Me carregar e ainda carregar todas essas malas, talvez seja pesado demais pra você! Ele sorri e amigavelmente respondeu:
— Pode até ser pesado, mas não demais para mim.
O rapaz sem muito esforço pegou toda a sua bagagem e começou a íngreme caminhada que em certo ponto decia e em outro subia. No decorrer ela reconhece que não precisava de tanta bagagem extra, pois isso só atrapalhou o seu caminho.
E durante todo o trajeto estenderam uma alegre conversa imbuída de boas lembranças e Susana apesar de tudo estava feliz afinal, estava voltando ao lar.

REFLEXÃO

Quantos de nós somos parecidos com a Susana, nos abarrotamos de bagagem extra e desnecessária que só dificulta a nossa caminhada.
Pare um minuto e pense, e seja sincero, quanta bagagem extra tem trazido desnecessariamente?
Tens trazido consigo o negativismo? A mágoa? Ódio? Culpa? Talvez tristeza? Quem sabe sentimento de vingança?
O fato é que não necessitamos de carregar tais sentimentos conosco, eles são bagagens desnecessárias que tende a tornar penosa a nossa caminhada.
Quando falo de bagagens pesadas demais para ser carregada e vejo o irmão mais velho dessa história, isso automaticamente me remete a uma frase já bem conhecida, dita pelo o maior homem que já viveu sobre a terra, Aquele que apesar de ser humano não deixou de ser Divino.
A frase é a seguinte:
” Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (Mateus 11:28). ”
O arquiteto de todo o Universo já enviou o seu Filho mais velho para nos auxiliar e nos livrar das cargas.
Note que Ele diz:  Vinde a mim, “todos”! O convite não é só para alguns e sim se estende a todos nós!
Ele nos ama para nos aceitar como somos, mas nos ama demais para nos deixar como estamos! Ele esta disposto a nos livrar de toda essa carga  desnecessária e nos auxiliar na jornada, a qual sozinhos não conseguiremos, por mais fortes e competentes que possamos ser.
Pense nisso!

Uma ótima e abençoada semana a todos!
DEUS ABENÇOE!

*** Monýh Oliver

https://www.facebook.com/AbrigodaAlma/

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