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O Homem que Caiu na Terra – Walter Tevis

Escrito nos anos 60, O homem que caiu na Terra rapidamente se tornou um grande clássico da ficção científica, o que só cresceu quando, nos anos 70, o filme foi realizado, o qual só ganhou mais e mais interesse ao longo dos anos, não só pela excelente história criada por Tevis mas também por ter sido o filme que nos apresentou a faceta ator do brilhante David Bowie.

Mas, vamos ao livro. Aqui somos apresentados a Thomas Jerome Newton, um ser extra-terrestre de aparência completamente humanoide, o que o faz passar como humano tranquilamente por anos e anos. Como outras ficções científicas da época, 1984, por exemplo, a história se passa no anos 80, vinte anos à frente da sua data de publicação e, desse modo, temos a oportunidade de observar o que o autor acreditava que poderia acontecer, em termos de inovações tecnológicas neste tempo, e compará-lo com o que sabemos que aconteceu.

Não vou aqui entrar em muitos detalhes pois acho que grande parte da experiência desta obra é fazer o leitor descobrir, aos poucos, o que “Thomas” faz ali e o modo como cada personagem individualmente, assim como os Estados Unidos da América enquanto nação, reagirá à sua presença e às suas ações. Esta é uma obra, inclusive, que, como boa parte dos nossos clássicos do gênero, diz mais sobre nós, humanos, do que sobre alienígenas.

Isto porque o motor que acaba por conduzir esta narrativa não é só as intenções de “Thomas”, mas, principalmente, as relações que ele estabelece com os humanos e o modo como cada personagem aqui apresentado reage diante das situações que vão aos poucos apresentados e, principalmente, diante da revelação acerca da razão para este alienígena estar ali. Aliado à excelente escrita e talento narrativo de Tevis, o que faz esta obra ser tão impressionante, mesmo hoje, é o modo como ela usa a ficção científica para nos conduzir por uma séria discussão política e social a respeito da natureza humana e o modo como nos conduzimos enquanto espécie.

O filme de 1976, dirigido por Nicolas Roeg e estrelado por David Bowie, tem justamente na interpretação de Bowie como Thomas a sua maior qualidade. Bowie cabe perfeitamente ao papel, seja por suas características físicas, seja pelo seu ar meio humano, meio “de outro planeta”. A identidade visual do filme também é bem interessante, mas a narrativa em si, e principalmente este aspecto mais político da obra, acaba se perdendo em nome de uma estética ousada, porém confusa. É o tipo de filme que de fato tem que ser visto após  a leitura, ou corremos o risco de não entender muito bem seu encaminhamento final.

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1 Comentário

  1. gulliver1975 disse:

    Republicou isso em Portal da escritae comentado:

    Um livro sobre a superioridade moral dos alienígenas.

    Curtir

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