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Carta para Gabo

cronicas

Por Danillo Camargo

De maneira um tanto quanto informal, venho mediante esta, desculpar-me com você Gabriel Garcia Márquez – Irei trata-lo como Gabo, embora não tenhamos uma intimidade direta, eu o conheço e considero pelas palavras.

Bem, espero que não se sinta ofendido ou algo do tipo, mas eu li bastantes obras incorporadas por suas experiências literárias. Adorei Cem anos de solidão e Memórias de minhas putas tristes. Foram um ápice para mim, encantando-me sobremaneira. Contudo, sinto de coração informar que não consegui chegar a metade do livro Amor nos tempos do cólera. Não que o livro seja ruim, longe disso, há um lirismo frenético e fantástico. Mas eu ainda não estou preparado, não sou do tipo que lê por ler e trata as palavras como coisas vazias e sem qualquer axiologia. Eu faço uso de minhas faculdades mentais e emocionais para imaginar o contexto e senti-lo.

No entanto, acho que minha maturidade emocional ainda está longe de alcançá-lo, de compreendê-lo, de ser empático. Não irei tratá-lo como qualquer um que se lê e depois só se lembra o título. A gente quer ler para ter um sentimento extraído das entranhas; suar frio pelo suspense; imaginar e imaginar e imaginar…

Não me leve a mal, não é a primeira vez que isso me acontece. Já tive que me desculpar com Tolstói e Dostoiésvki também. Mas, você conhece os Russos, tem um temperamento mais gélido, porém, no fundo são capazes de dissecar nossa alma.

Eu irei voltar a lê-lo, não agora, futuramente. Garanto que nenhum de nós será o mesmo até lá. Iremos nos (re)interpretar novamente, reconhecermo-nos como se fossemos amigos distantes que se reencontram em um bar. Por isso, peço que me perdoe de coração, há coisas que têm o momento inexato para acontecer, creio que seja daí que nasça a inspiração… Do descuido. Ainda nos veremos nas manhãs com um copo de café e um cigarro, nos perdendo na roda do tempo e da fantasia, esperando um pouco de compreensão.

Com carinho, de seu Leitor.


Danillo Camargo, escritor de boteco, bacharel em direito, apaixonado por literatura e por café, descobriu o prazer da leitura de maneira tardia, mas foi amor a primeira vista. Acredita que todos são poetas por natureza e que se deve provocar o mundo com a essência das palavras.

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1 Comentário

  1. Ragnar Raphael disse:

    Ótimo! adorei a crônica…aliás bem a minha cara também..abraços Danillo

    Curtido por 1 pessoa

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