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Sobre a ansiedade que me carrega

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Por Danillo Camargo

Tudo começa miúdo, despercebido, sem alardes. Primeiro vem a falta de ar. Os prédios não produzem oxigênio; é meramente questão de estética. O ar não é estético, é essencial, são vertentes dicotômicas. Há pessoas que me dão ar, outras me tiram. A palpitação vem depois, ela já não é tão discreta, sinto-a como palavras sussurradas no ouvido. Tenho vontade de falar, mas prefiro ficar silente. É muita polarização para uma vida que, por vezes, apresenta-se em mão única.

Penso em meditar, mas penso em outras mil coisas; minha mente não me dá sossego, só consigo desligá-la durante o sexo, não sei o motivo; talvez devesse fazer psicoterapia. Muitas respostas se encontram em mim, ou melhor, há respostas em tudo, nos pequenos detalhes, nos dias nublados, nos devaneios cotidianos.

Não consigo ficar em casa. Crio um roteiro, mas fico inerte. O tabaco queimando não me ajuda o tanto que queria. A cerveja gelada se tornou uma fuga. O que fazer quando quero estar longe de mim e não consigo me distanciar?

Certo dia os pássaros me explicaram sobre o sentido de liberdade, ouvi atentamente. Noutro dia, Senhor Joaquim, o dono de uma venda próxima à minha casa, explicou-me sobre as melhores gaiolas para se aprisionar os pássaros, tentei retirar suas palavras de minha mente, mas eu já estava engaiolado sem saber.

Outro sintoma é o ânimo que escorre através de mim. Faço uma força hercúlea para segurá-lo, mas quanto mais forço mais me afundo feito areia movediça. O ânimo é ioiô, não há o que fazer, os livros até tentam explicar uma maneira rasa de se estar bem, mas, é sabido que viver é mais profundo, é conjugar verbos em tempos certos, errados, inadequados.

O meu problema é quanto ao futuro, seja do presente ou do pretérito. Para mim, nada se enquadra no mais-que-perfeito. Há muita beleza no imperfeito.

Sento, respiro, inspiro. Em algum momento vai passar, a tristeza se renova em águas límpidas. Devo esperar, logo encontrarei, talvez até mesmo por descuido, um novo rio para me diluir.


Danillo Camargo, escritor de boteco, bacharel em direito, apaixonado por literatura e por café, descobriu o prazer da leitura de maneira tardia, mas foi amor a primeira vista. Acredita que todos são poetas por natureza e que se deve provocar o mundo com a essência das palavras.

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