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Matéria Escura – Blake Crouch

Um dos lançamentos mais incríveis que a Intrínseca trouxe até agora neste ano, e de uma beleza editorial impressionante, Matéria Escura foi uma leitura de impacto tremendo para mim. Eu não sabia muita coisa sobre a história antes de começar a ler, sabia apenas que girava em torno da teoria dos multiversos, e mesmo disso não sabia muita coisa.

A verdade é que minha experiência com a teoria do Multiverso se baseia, em grande medida, na série de TV The Flash, ou seja, não tem uma base 100% cientifica. Por isso, talvez, a forma bastante técnica e, ainda assim, compreensível para nós, pessoas comuns, que não estamos acostumados a lidar com problemas de física no nosso cotidiano. Acho, inclusive, que eu nunca achei a Física, enquanto disciplina, tão tangível e interessante quanto ao longo das frenéticas 48h que levei para ler este livro.

Nosso protagonista é Jason Dessen, um homem que aparentemente é feliz, embora, como todos nós, fez escolhas que, em um momento ou outro, questiona se foram as escolhas corretas ou não. Ainda sim, refazê-las não parece ser uma vontade sua. Ele está perfeitamente satisfeito com sua vida. Mas, à sua revelia, ele acaba sendo enviado a um outro mundo paralelo, onde as suas escolhas teriam sido outras e, portanto, a vida que construí para si completamente diversa.

Ao longo de Matéria Escura vamos acompanhando, deste modo, três momentos da história de Jason. Primeiramente, ele busca compreender o que aconteceu com ele, pois ele não sabe, de início, nem quem nem como nem porque tudo isso está acontecendo com ele. Em segundo lugar, acompanhamos a luta para Jason voltar para casa. Finalmente, acompanhamos as consequências deste processo de volta para casa, consequências estas bastante surpreendentes.

Estas consequências acabam sendo, na verdade, o que leva o livro a um nível existencialista tão impressionante. Pois, sem dar nenhum SPOILER, a questão deixa de ser apenas em que medida podemos ou não refazer nossas grandes escolhas, dedicar-se a família ou ao trabalho, por exemplo, mas em que medida cada pequena escolha, às quais nem damos muita importância, é responsável por formar quem somos, nossa essência.

Somos apenas a soma de nossas escolhas? Nosso passado sempre é o que determina nosso futuro? Podemos mesmo falar de essência ou, como pretende a corrente existencialista, tudo o que somos é o que fazemos? Matéria Escura apresenta alguns caminhos para respondermos estas perguntas, o mais interessante deles presente em uma conclusão a que Jason chega ao final de sua jornada:

Não posso deixar de pensar que somos mais do que a soma total de nossas escolhas e que todos os caminhos que poderíamos ter trilhado influem de algum modo na matemática da nossa identidade.

Maíra Protasio

Escritora e mestranda em Filosofia da Arte, vive desde sempre entre livros e cadernos. Vem publicando desde 2014 resenhas de suas leituras em seu blog: doquetenholido.wordpress.com

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