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O CENTAURO E A SEREIA

Havia, no bosque, um centauro que se gabava de ser o melhor atirador de flechas da região. Andava sempre com seu arco a tiracolo e sua aljava cheia de flechas. Todo centauro gosta de caçar touros e, por isso, quando ele aparecia em uma campina na qual os touros pastavam, esses animais fugiam a rápido galope com medo dele. E o centauro ia ao seu encalço, atirando flechas e caçando os pobres animais.

Sendo tão bom caçador, o centauro tinha vários escravos, ou seja, os próprios touros que caçava. É verdade que alguns desses touros viravam comida e iam parar no bucho sem fundo do centauro, que gostava de churrasco mal passado. Os que não viravam comida viravam escravos e serviam o centauro em todos os seus desejos. Assim, o centauro arrogante atrelava os touros a carroças e arados, colocava-os para puxar grandes toras de madeira ou grandes blocos de pedra e usava-os como montaria para alguns conhecidos seus, como o sátiro Fauno.

Mas, Fauno não fazia questão de montar no lombo dos touros, pois era contra a escravidão:

– Os touros têm o mesmo direito à liberdade que você e eu! – dizia ele ao centauro arrogante – Ninguém tem o direito de tirá-los das campinas, colocar arreios neles e obrigá-los a trabalhar contra sua vontade.

Mas, o centauro não queria saber de conversa e continuava caçando. Além dos touros, ele caçava veados, pombas, coelhos, raposas e patos.

Um dia, Fauno falou para o centauro:

– Sabia que no mar aqui perto vive uma sereia muito bela e vaidosa que se gaba de arrastar para o fundo do mar os mais fortes marinheiros, os mais experientes e viajados?

– Não sabia!

O centauro não sabia de nada que não se relacionasse à sua própria força e à sua própria esperteza. Para ele, o mundo girava em torno de seu umbigo.

– Pois, é verdade! – continuou Fauno – Ela já levou a pique milhares de embarcações, desde pequenos barcos até grandes navios.

Mas, o centauro não se importou com aquilo e até esqueceu o assunto. Um dia em que perseguia um coelhinho muito ágil, foi parar nas margens do mar sem fim. Parou para contemplar aquela imensidão de água e, por um momento, sentiu-se pequeno diante do oceano, cujas ondas iam até o alto e caíam com força, engolindo tudo.

Mas essa admiração durou pouco. Logo, o centauro, grande caçador que era, encheu o peito de ar e continuou caminhando, de arco armado, em busca do coelhinho. De repente, ouviu uma voz doce e belíssima que parecia preencher todo o ar ao seu redor. Era uma linda voz que cantava uma linda canção – uma melodia tão maravilhosa e uma voz tão encantadora que nem o mais afinado cardeal, sabiá ou canário poderia imitar.

O centauro parou e ficou procurando de onde vinha a voz. Olhou para o céu, mas nada viu. Olhou para a terra, mas nada achou. Olhou para o ar, mas só sentiu a lufada do vento em seu rosto. Então, olhou para o mar sem fim e viu, apoiada em uma pedra, uma linda mulher de cabelos dourados que brilhavam como o próprio sol. Sua pele era alva e sua boca muito vermelha e, enquanto ela cantava, chamava com os dedos o centauro para junto dela.

Atraído por tanta beleza, o centauro largou o arco e a flecha e entrou na água, caminhando enfeitiçado na direção da sereia. Foi indo, indo, indo… Chegou bem pertinho dela. A sereia, sorrindo, mergulhou no mar. E o centauro foi atrás, seguindo-a para seu reino. Afundou e nunca mais voltou à superfície. A sereia fez do centauro um escravo e o usava para carregar coisas no fundo do mar, para arrastar pedras, para conduzir outras sereias em seu lombo, para todo tipo de serviço pesado.

Lá em cima, o coelhinho, vendo que o centauro mergulhara para sempre, apanhou seu arco e a flecha caída e voltou ao bosque para contar a novidade.

Tudo havia sido combinado. A sereia era amiga dos touros e dos outros animais do bosque, que iam sempre à beira do mar, contemplar o horizonte. Ela resolveu ajudá-los a se libertar do jugo do centauro.

– Atraiam o centauro para cá e eu farei o resto! – ela falou.

Foi por isso que o coelhinho levou o centauro até o mar. O arco e a flecha do centauro foram quebrados. Como os animais ficaram alegres, livres do centauro arrogante que os caçava e fazia os touros de escravos! Agora, os touros pastavam livremente nas campinas, os coelhos pulavam no mato, os patos nadavam alegremente nas lagoas azuis.

Fauno, velho amigo do centauro, compôs uma melodia para ele – uma triste melodia de despedida.

Quanto à formosa sereia, continuou causando tragédias, levando a pique as mais potentes embarcações e orgulhando-se disso. Até que, um dia, um enorme cachalote branco, farto de ouvi-la contar suas façanhas, engoliu-a.

 

MORAL DA HISTÓRIA:

Todos têm suas qualidades – o importante é saber usá-las!

Use seus talentos para fazer amigos e não para criar inimigos.

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