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O tribunal de quinta-feira – Michel Laub

Um dos maiores expoentes da literatura nacional contemporânea, Michel Laub vem recebendo diversos elogios a respeito de O tribunal de quinta-feira e, de fato, a sinopse chama a atenção. Com um tema muito interessante e poderoso, o da AIDS, aliado ao nosso hábito contemporâneo de criarmos, na internet, verdadeiros tribunais sociais, Laub parte de uma premissa poderosa.

Uma ideia interessante, com um humor ácido bem forte, que não vai agradar a qualquer um, e nem esta parece ser a intenção do autor, mas que funciona muito bem dentro de sua proposta, pelo menos no início. O problema é que o estilo da narrativa, escrita em primeira pessoa por um dos “réus em julgamento”, começa a ficar repetitiva e a se perder um pouco.

Em determinado momento, a trama torna-se tão repetitiva a ponto de você se peguntar em alguns momentos se já não leu aquele capítulo, pois ele repete não só as histórias como quase o faz palavra por palavra. A leitura, que era para ser rápida, torna-se, desse modo, arrastada.

Ainda assim, Laub consegue ter certos insights brilhantes e que quase conseguem superar os pontos mais fracos de sua narrativa. Em dado momento, ele coloca em questão, por exemplo, nossas boas intenções versus as consequências que elas podem tomar:

Todo fascista julga estar fazendo o bem. Todo linchador age em nome de princípios nobres. Toda vingança pessoal pode ser elevada a causa política

 

Maíra Protasio

Escritora e mestranda em Filosofia da Arte, vive desde sempre entre livros e cadernos. Vem publicando desde 2014 resenhas de suas leituras em seu blog: doquetenholido.wordpress.com

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2 Comentários

  1. Bom dia! Li por inteiro, e mesmo com suas pontuações de críticas, consegui me interessar pela obra, forma da narrativa e conteúdo de assunto atual. Muito bom que ressalte o que considera interessante na obra. Sempre há. Gostei da sua frase “Em dado momento, ele coloca em questão, por exemplo, nossas boas intenções versus as consequências”.

    Curtido por 1 pessoa

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